Se você toca teclado há um tempo, provavelmente começou (como a maioria de nós!) apenas com os acordes mais básicos (as famosas tríades). E isso é ótimo, é o primeiro passo de qualquer jornada musical. No entanto, chega uma hora em que aquele som simples de três notas parece pedir mais cor, emoção e complexidade. É nesse ponto que a mágica da transformação acontece: hora de evoluir seus acordes simples para versões mais “avançadas”.
Mas, afinal, o que é um acorde simples?
Pense no clássico Dó Maior. Ele é formado pelas notas Dó, Mi e Sol. Três notas empilhadas, uma tríade. O som é limpo, funcional, mas não tem o tempero que a gente ouve em músicas mais elaboradas. Para dar esse passo além, precisamos começar a adicionar notas e a pensar em como distribuí-las de forma mais rica entre as duas mãos.
O toque da sétima e da nona: As extensões
É aqui que o acorde ganha personalidade. Ao acrescentar notas que vão além da tríade (tônica, terça e quinta), chamadas de extensões, o acorde simples é elevado a um novo nível de sonoridade.
- A Sétima: Adicionar a sétima (maior ou menor) transforma a tríade em uma tétrade, criando profundidade harmônica, como em $Cmaj7$ ou $Dm7$.
- A Nona: Adicionar a nona (a segunda nota da escala uma oitava acima) injeta um toque de suavidade e modernidade. Imagine seu Dó Maior se transformando em um Dó com Nona ($Cadd9$) ou, melhor ainda, um Dó com Sétima Maior e Nona ($Cmaj9$).
- Outras Extensões: A Décima Primeira e a Décima Terceira adicionam ainda mais textura, especialmente em acordes Dominantes (o quinto grau), como um $G13$.
O resultado não é só um som “mais cheio”, é uma sensação que remete instantaneamente a arranjos mais profissionais e sofisticados. Essa mudança é o cerne da harmonia moderna e faz uma diferença estrondosa em qualquer progressão de acordes que você já toca. Essa profundidade é um dos temas centrais que você estudaria em um curso de teclado completo.
Leve as ideias para a prática agora
Se você gostou da ideia de dar mais cor aos seus acordes, o próximo passo é aplicar essas extensões em músicas que já fazem parte do seu repertório.
Confira o post 3 Músicas Fáceis e Divertidas para Tocar no Teclado. Essas canções são o cenário perfeito para você testar seus novos acordes com sétima e nona e treinar a coordenação entre as mãos de uma forma leve.

Mão na massa: Progressões e treino com voicings
Para dominar a aplicação dessas ideias, foque nas progressões. A famosa progressão $II-V-I$ (dois-cinco-um), muito usada no Jazz, MPB e Pop, é perfeita para treinar a fluidez. Ela representa a força do movimento por quartas, que dá uma sensação de resolução natural à música.
Para que esses acordes avancem de verdade, você precisa aprender sobre voicings (a forma como as notas do acorde são distribuídas no teclado). Muitas vezes, um acorde avançado é tocado sem a nota tônica na mão direita (os chamados Rootless Voicings), sendo ela reservada para o baixo na mão esquerda, criando um som mais limpo e profissional. Estudar essas técnicas de distribuição faz parte de qualquer bom curso de teclado completo.
Em Dó Maior, a sequência com as extensões pode ser praticada da seguinte forma, utilizando voicings comuns:
- Acorde $II$ (Ré Menor 9 ou $Dm9$): A mão esquerda toca o Ré (tônica). A mão direita pode formar o acorde com as notas Fá, Lá, Dó e Mi.
- Acorde $V$ (Sol 13 ou $G13$): A mão esquerda toca o Sol (tônica). Você pode transitar para o Sol 13 com a mão direita tocando Fá, Si e Mi.
- Acorde $I$ (Dó Maior 9 ou $Cmaj9$): A mão esquerda toca o Dó (tônica). A mão direita resolve no Dó Maior 9, tocando as notas Mi, Sol, Si e Ré.
Para praticar, você pode variar o ritmo, explorar as inversões e até criar pequenas melodias improvisadas nas notas mais agudas. Treine essa progressão em todas as tonalidades para desenvolver a independência das mãos e a intuição harmônica.
O próximo nível: Intuição e liberdade
Com a prática constante, esses acordes mais elaborados deixam de ser um “decoreba” de posições e passam a sair de forma natural e intuitiva. Quanto mais você treina, mais fluido fica o som. Este é o momento crucial em que você deixa de ser apenas um repetidor de shapes e começa a entender a lógica da harmonia (o “porquê” de cada nota estar ali).
Se o seu objetivo é dominar a harmonia, entender os intervalos e tocar com total liberdade, vale conhecer um curso de teclado completo. Com ele, você aprende cada etapa no ritmo certo, do básico à aplicação prática, entendendo por que cada nota está ali e como usá-la da melhor forma.
Se quiser continuar aprendendo de um jeito leve e descontraído, visite meu canal no YouTube. Lá eu compartilho aulas gratuitas, dicas práticas e muito conteúdo que vai ajudar você a evoluir de verdade no teclado.


